Por Lara B. Soares´*

Parece que chegamos ao limite. As redes sociais, antes espaços de conexão e troca, se tornaram uma fábrica de tendências que mal nascem e já morrem. Corecore, Quiet Luxury, Clean Girls, vídeos de 10 segundos… Estamos consumindo tanto conteúdo descartável que esquecemos como é se conectar de verdade.

O que isso significa? Talvez o que Nicholas Carr chama de “cérebro obeso” seja a melhor explicação. Ele descreve como consumir informações demais, de forma rápida e superficial, nos deixa exaustos, desconectados e incapazes de absorver algo com profundidade.

As pessoas estão sentindo isso. E a resposta delas é clara: reduzir o tempo nas redes, fazer detox digital e buscar algo que faça mais sentido. Isso não é só uma mudança de comportamento. É um grito por equilíbrio.

Nos últimos cinco anos, vimos uma explosão de conteúdos curtos e microtendências. Mas será que estamos criando algo que realmente importa? Ou só alimentando um ciclo de ruído?

E, no meio disso tudo, o desespero pelo engajamento e pelos números abafou a questão principal: estamos prontos para criar menos e, ao mesmo tempo, criar melhor?

Falar de “autenticidade” e “humanização” virou quase um clichê no marketing. Mas o que isso significa, de verdade? Para mim, vai além de mostrar vulnerabilidades ou fazer um post “gente como a gente”. É sobre respeitar o tempo e a inteligência de quem consome o que criamos. É sobre fazer algo que vá além de engajar – que conecte.

Talvez o desafio não seja só ajustar as estratégias, mas também repensar nosso papel nesse sistema. Será que estamos contribuindo para a saturação ou construindo algo que as pessoas vão lembrar?

Eu ainda estou buscando respostas. E você?

*Lara B. Soares é Estrategista de mídias sociais e diretora da APP RM Vale do Paraíba